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  • Foto do escritorWilFran Canaris

Compreender a conjuntura nacional e local é imprescindível para fortalecer a luta sindical

Palestra levantou reflexões sobre os desafios contemporâneos para a manutenção dos direitos dos trabalhadores

A primeira palestra do evento, sobre “Conjuntura política, social e econômica do Brasil e de SC” contou com a participação dos convidados Daniel da Cunda Corrêa da Silva, professor do Curso de Relações Internacionais da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI), e Juberlei Baes Bacelo, diretor executivo da Fetrafi/RS e funcionário Santander Meridional.


Na mesa estiveram, também, Cleberson Pacheco, presidente do Sindicato dos Bancários de Florianópolis e Região, Francieli Maria de Oliveira, secretária do SEEB Vieira, e Claudia Zampieri, do Sindicato de Joaçaba e Região.


“Não existem conquistas sem preparação prévia”. A frase, dita por Cleberson Pacheco ao abrir a mesa de discussão, resumiu a importância de criar espaços de discussão, como o VI Congresso, para preparar a base para o enfrentamento que a conjuntura atual exige.


Contexto histórico

O professor Daniel Cunda apresentou um levantamento sobre a formação de Santa Catarina e a transformação política e econômica do estado nos últimos 30 anos. “SC teve um modelo de formação com atividades produtivas diversificadas e distribuição da propriedade. O que deixou um legado que fez o estado ser visto como diferenciado”, comentou.


Mas, de acordo com Cunda, as mudanças que começaram na década de 90 trouxeram nova realidade para SC: “Aconteceu um processo acelerado de transição produtiva, com consequências no mercado financeiro; concentração e capitalização. Ocorreu a federalização do Besc e o rebaixamento do Badesc para uma mera agência de fomento, quando o banco poderia pensar estrategicamente políticas para o estado”.


Já Bacelo lembrou que há mudanças ocorrendo em todo o mundo, “é para onde esse modelo de neoliberalismo tem nos levado, sempre atacando os direitos dos povos, aprofundando essas crises. O capital sequestra os estados, se multiplica e não tem um lastro que permita qualquer tipo de crescimento. O que a gente vê é um aprofundamento da desigualdade e a destruição do planeta para manter a especulação desse mercado financeiro”.


Toda conquista é fruto da luta coletiva

Outro ponto discutido durante a palestra foi a importância do movimento sindical no contraponto à individualização crescente, à “uberização” dos trabalhadores e ao neoliberalismo.


“A ideia central do neoliberalismo é ir nivelando por baixo, o que nós temos é uma total precarização da força de trabalho. Já vemos isso no nosso ramo com os trabalhadores autônomos no meio financeiro, sem nenhuma proteção, que já deve estar beirando quase 20 mil em todo o país. É a uberização da força de trabalho”, enfatizou Bacelo.

Juberlei também comentou que é preciso travar outras lutas para além da categoria bancária, “temos que retomar uma capacidade de intervenção social capaz de articular outras pautas de conjuntura nacional, como os juros altos do Banco Central, não queremos o Banco jogando contra o povo brasileiro”.


Para ele, a saída está em fortalecer a negociação coletiva, “o que a gente tem que fazer é lembrar que tudo que nós conquistamos é por conta da luta coletiva e é a luta coletiva que pode manter a garantia de direitos e construir uma sociedade menos desigual”.

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