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  • Foto do escritorWilFran Canaris

Os juros altos e os impactos aos trabalhadores


Neste dia 21 de março vários atos pelo país, organizados pela Contraf-CUT, vão denunciar e cobrar a baixa do juros. o Sintafi Floripa, que não tem sede do Banco Central, participará do tuitaço organizado pela Confederação #JurosBaixosJá


Arthur Soares, auxiliar administrativo que recebe um salário mínimo mensal, enfrenta dificuldade para pagar a fatura do cartão de crédito que mês a mês tem comprometido mais o seu orçamento. A última fatura, Arthur resolveu parcelar o valor total e agora se espantou com a quantidade de juros que irá pagar por não ter quitado todo o cartão.


De acordo com Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), em janeiro de 2023, 38,7% das famílias que têm renda mensal de até 3 salários mínimos atrasaram o pagamento das suas dívidas.


Mas qual a relação dos juros com o endividamento dos trabalhadores? A taxa de juros fixada pelo Banco Central em 13,75% tem trazido problemas aos trabalhadores e trabalhadoras, aumentando o endividamento, como é o caso do auxiliar Arthur. De acordo com Mauricio Mulinari, economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE/SC), a taxa básica de juros, a Selic, baliza todas as demais taxas de juros no mercado.


“A taxa de juros influencia a vida do trabalhador tanto diretamente quanto indiretamente, pois é a Selic que baliza todas as demais taxas de juros no mercado, como a taxa do cartão de crédito, das negociações do campo imobiliário e até do juros na prestação da compra da geladeira, microondas, etc”, ressalta Maurício.


O Brasil hoje tem a maior taxa de juros do mundo e tem a taxa mais alta desde 2017, sendo um entrave para o crescimento econômico brasileiro. O economista Maurício destaca que não é só no endividamento dos trabalhadores que a alta taxa de juros tem influenciado, mas também na geração de empregos.


“Com os juros elevados, a decisão de investimento é afetada. Os capitalistas preferem deixar o dinheiro rendendo juros em aplicações financeiras, do que investir em expansão da capacidade produtiva, o que por consequência poderia gerar crescimento na oferta de empregos e até melhores salários”, explica.


Além do impacto direto na vida do trabalhador, os altos juros afetam até no investimento de políticas públicas, pois o juro da dívida pública está vinculado a taxa Selic, retirando dos cofres públicos bilhões que poderiam ser gastos em educação, saúde, rodovias e infraestruturas do país.


Em entrevista ao Portal da CUT, o economista e professor da PUC, Ladislau Dowbor, afirmou que a alta taxa de juros nada mais que é que uma apropriação indébita do dinheiro público, porque tira uma média de R$600 a R$700 bilhões ao ano de dinheiro público.


“Não há justificativa técnica para se manter os juros em 13,75% pois não há excesso de demanda para que o consumo cause inflação. A inflação prevista pelo Banco Central para 2023 é de 3,5% com variação de 1,5% para cima ou para baixo. A taxa de juros ideal seria de 1% a 1,5% ao ano mais a inflação, o que é uma média cobrada pelos 38 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), explica Ladislau.


O economista ainda explica eu taxas menores são aplicadas em outros países. “O Santander cobra na Espanha zero por cento de juros para quem pede empréstimos de até 5 mil euros a serem pagos em seis meses. Aqui no Brasil chega a 100% no mesmo período”.


Nos últimos meses o Governo Federal tem questionado publicamente a aplicação da alta taxa de juros causadora da lenta guinada na economia, na política do Banco Central em manter uma taxa dentro dos dois dígitos. A decisão da taxa Selic é feita pelo Banco Central, que desde 2021, tem autonomia em relação ao Governo Federal, podendo ter sua própria decisão, independente das orientações dos ministros e do presidente.


Para Mulinari, é importante que todas as decisões do Banco Central estejam alinhadas com as decisões do governo para fortalecer e respeitar as escolhas do povo através do voto.

“É preciso avançar no fim dessa ideia de autonomia do Banco Central, ele não pode ser um órgão independente das decisões populares. Sem falar que não existe autonomia real do Banco Central, porque ele está extremamente dependente do mercado financeiro e são eles que definem a política de juros que afeta todos os trabalhadores e trabalhadoras”, afirma Maurício.

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