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Bradesco lucra R$ 13,9 bilhões no semestre, mas segue demitindo e fechando agências

Banco registra o maior crescimento de lucro entre os grandes bancos privados, elimina quase 2,5 mil postos de trabalho e fecha 324 agências; COE destaca que resultados reforçam a necessidade de valorização dos trabalhadores na Campanha Nacional



O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 13,861 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação entre o segundo e o primeiro trimestre deste ano, o crescimento foi de 3,5%. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 16% no semestre, aumento de 1,4 ponto percentual em 12 meses.


O crescimento de 16,2% foi o maior entre os três maiores bancos privados do país (Bradesco, Itaú e Santander). Segundo o balanço da instituição, este é o décimo trimestre consecutivo de aumento do lucro.


Apesar dos resultados positivos, o Bradesco segue reduzindo seu quadro de pessoal e sua rede de atendimento. O banco encerrou o primeiro semestre com 79.699 funcionários, dos quais 67.954 são bancários, após eliminar 2.448 postos de trabalho em 12 meses. No segundo trimestre, o saldo foi negativo em 868 empregos bancários.


No mesmo período, o banco fechou 324 agências em todo o país. Em contrapartida, sua base de clientes cresceu em 300 mil pessoas nos últimos 12 meses, sendo 100 mil no segundo trimestre, alcançando 110,4 milhões de clientes, segundo dados do Banco Central.


Lucro não chega aos trabalhadores


Para a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco, Erica de Oliveira, os excelentes resultados financeiros não se refletem nas condições de trabalho dos bancários nem na qualidade do atendimento prestado aos clientes.


"Mesmo com excelentes resultados, o Bradesco continua demitindo bancários e fechando agências. Isso enquanto sua base de clientes cresce de forma significativa. O resultado não poderia ser outro: bancários sobrecarregados e adoecidos e clientes prejudicados pela redução do atendimento presencial”, disse. “Além da sobrecarga, uma das principais reclamações dos trabalhadores é a pressão cada vez maior pelo cumprimento das metas, que tem impactado diretamente a saúde física e mental da categoria", completou.


Outro indicador reforça que o banco possui condições de investir mais em seus empregados. A receita com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceu 5% em 12 meses e totalizou R$ 15,8 bilhões, valor suficiente para cobrir 117% de todas as despesas com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR).


Resultados reforçam reivindicações da Campanha Nacional


Para a dirigente, o desempenho financeiro do banco demonstra que há plenas condições de atender às reivindicações apresentadas pelos trabalhadores. “No entanto, o banco insiste em manter a política de demissões e fechamento de agências justamente durante a Campanha Nacional. Nossa resposta é ampliar a mobilização para garantir valorização dos trabalhadores, melhores condições de trabalho e medidas efetivas de proteção à saúde."


Carteira de crédito segue em expansão


A carteira de crédito expandida do Bradesco totalizou R$ 1,137 trilhão em junho de 2026, crescimento de 11,6% em 12 meses e de 4,3% no trimestre.


Na carteira de pessoa física, o saldo chegou a R$ 479,7 bilhões, com destaque para o financiamento de veículos (26,8%), crédito rural (17,6%) e cartão de crédito (10,6%).


Já a carteira de pessoa jurídica atingiu R$ 656,9 bilhões, alta de 14,1% em um ano. O crédito para grandes empresas cresceu 12,7%, enquanto as operações destinadas às micro, pequenas e médias empresas avançaram 16,1%.


A taxa de inadimplência superior a 90 dias ficou em 4,3%, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.

Já as despesas com provisão para perdas esperadas (PDD) aumentaram 22,6%, influenciadas principalmente pelas operações de crédito rural e por linhas vinculadas a programas emergenciais.


Fonte: Contraf-CUT

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